Um chute atrás também te empurra para a frente¹


E eis que minha consorte me deixou. E o pior é que, como diria Emanuel Kant, ela está na razão pura dela²: eu provavelmente também não me aguentaria por tanto tempo.

Nesse ponto, aliás, sou como Groucho Marx: não sei se poderia namorar com uma pessoa disposta a namorar comigo, de forma que, concluo, o nosso acerto de comum acordo (no qual ela entrou com o pé e eu entrei com o derrière) talvez tenha sido para melhor mesmo.

É claro que essa racionalização não facilita em nada a minha vida, já que a recém adquirida solteirice me permitiu descobrir que minha habilidade para com o sexo feminino é similar ao meu desempenho no futebol: sou um excelente palpiteiro, mas uma negação com a bola nos pés.

Por ora vou enganando a torcida, alegando que estou sem ritmo de jogo e estudando o adversário, mas suspeito que meus pífios resultados com o sexo oposto ainda renderão farto material para este blog. A conferir.

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¹ O texto é antigo, mas a situação é basicamente a mesma, então puxei ele para o topo do blog porque é mais fácil que escrever um novo. Lei do menor esforço: praticamos.

² Sem royalties para Franciel Cruz, que, como se sabe, é comunista ortodoxo e não se rende aos preceitos capitalistas.