Considerações de um baiano no Mineirão

Texto meio antigo que fiz (março de 2008) e vou descaradamente postar aqui para fazer volume nesses primeiros dias de Blog.

Estive em BH na semana passada, e como fã de futebol que sou, não perdi a oportunidade de assistir o clássico "cachorrada" x "bicharada" (ou Atlético x Cruzeiro, como queiram) e de quebra ainda conhecer o belo estádio Governador Magalhães Pinto -- Mineirão é só para os íntimos, eu não sou de tomar essas ousadias logo no primeiro dia. Sou de família. 

Logo de cara, alguns amigos nativos me informaram que eu não devia ir com a camisa do glorioso Esporte Clube Vitória, como havia planejado a princípio, eis que os atleticanos têm uma rixa com os flamenguistas (a qual ninguém conseguiu me explicar as razões), e a camisa rubro-negra poderia ser objeto de confusão. Ok, longe de mim querer criar caso na terra dos outros, troquei de camisa e fui.

Entrando no estádio, logo depois de ser assaltado pelos cambistas, tive a primeira surpresa do dia quando, tendo pedido uma cerveja, trouxeram-me uma Liber *sem álcool*!!! Enfurecido, tive ganas de pular no bar e esganar a atendente, mas fui contido por meus amigos, que me explicaram que os bares do Mineirão não vendem cerveja.

Jesus Cristo, como é possível não se vender cerveja dentro de um estádio?! Será que vocês não vêem que isso não é coisa de Deus? Cerveja e futebol são coisas indissociáveis, como Eurico Miranda e o Vasco, Heloísa Helena e o PT ou Cuba e Fidel Castro.

Meu inflamado discurso foi interrompido pelo começo do jogo, forçando-me a sair da área do bar e ir apreciar o espetáculo (nota: sob pena de ter cassada minha licença poética, sou obrigado a informar que o termo "espetáculo" aqui é usado em sentido lato, com todas as aspas possíveis). No caminho, observei que os poucos clientes dos bares compravam apenas quitutes saudáveis e muito adequados para comer no meio de um estádio com mais de sessenta mil pessoas, como torresmo ou feijão tropeiro (com ovo e bife). 
Mais tarde fui informado que a proibição da venda de bebida nas dependências do estádio decorre de uma recomendação do Ministério Público, que também proibiu o uso de bandeiras e reduziu a capacidade máxima do estádio para pouco mais de 60 mil, visando diminuir os índices de violência. Na minha opinião, o MP deveria se preocupar com coisas mais relevantes. Acho até que se ele proibisse a escalação de Marinho como centroavante do Galo, os protestos diminuiriam e consequentemente, a violência também.

Além do quê, com certeza há algum furo no esquema anti-cerveja dentro do estádio, pois eu não consigo imaginar uma explicação que não seja muita canjibrina para isso:

(a foto não está de cabeça para baixo e é do Bola nas Costas: http://colunas.globoesporte.com/bolanascostas/)
__________

O lado triste dessa história é que, do dia em que esse texto foi originalmente escrito para hoje, a CBF adotou a mesma política que a Federação Mineira, e proibiu a venda de bebidas alcoólicas em todos os jogos de campeonatos nacionais. Cerveja no estádio agora, só durante o Campeonato Baiano.

Mas aí também, convenhamos, era muita maldade obrigar os torcedores a aturar 90 minutos de tortura sem uma cerveja sequer.